CDI: o que é, como funciona e como comparar investimentos
Entender o que é CDI é importante para quem deseja comparar CDB, LCI, LCA, fundos de renda fixa e outros investimentos. Isso acontece porque muitas aplicações divulgam sua remuneração como um percentual do CDI, como 90%, 100%, 110% ou 120% do indicador.
Apesar de aparecer constantemente nas plataformas de investimento, o CDI não é uma aplicação disponível diretamente para pessoas físicas. Na prática, ele está relacionado a operações de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras. A taxa gerada por essas operações é utilizada como uma das principais referências da renda fixa brasileira.
Portanto, neste artigo você entenderá como o CDI funciona, sua relação com a Selic, o significado de diferentes percentuais do CDI e quais critérios devem ser avaliados antes de escolher um investimento.
Última atualização: 22 de julho de 2026.
O que é CDI?
CDI é a sigla de Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título utilizado em operações financeiras realizadas entre instituições bancárias.
Por isso, essas operações normalmente acontecem porque os bancos precisam equilibrar seus caixas ao final de cada dia. Uma instituição que possui recursos excedentes pode emprestar dinheiro a outra que necessita de recursos temporariamente.
Assim, o CDI funciona como um instrumento de empréstimo de curtíssimo prazo entre instituições financeiras. Em geral, essas operações têm duração de um dia útil.
Como o CDI funciona?
Os bancos realizam operações de depósito interfinanceiro para administrar sua liquidez. Nesse processo, as transações são registradas na B3, que calcula uma taxa média ponderada com base nas operações elegíveis.
Além disso, essa taxa é divulgada de forma anualizada, considerando a convenção de 252 dias úteis. Por esse motivo, quando uma aplicação promete determinado percentual do CDI, sua rentabilidade acompanha diariamente a variação da Taxa DI.
Consequentemente, o rendimento não é creditado de uma única vez com base na taxa anual. Em vez disso, ele é acumulado ao longo dos dias úteis em que o dinheiro permanece investido.
Qual é a diferença entre CDI e Taxa DI?
Embora as duas expressões sejam frequentemente usadas como sinônimas, existe uma diferença técnica entre elas.
CDI
É o certificado ou título emitido nas operações de depósito realizadas entre instituições financeiras.
Taxa DI
É a taxa média calculada a partir das operações interfinanceiras registradas e consideradas na metodologia da B3.
No uso cotidiano, contudo, é comum dizer que um investimento rende “100% do CDI”. Tecnicamente, isso significa que o rendimento acompanha 100% da Taxa DI acumulada durante o período da aplicação.
Qual é a relação entre CDI e Selic?
A Taxa DI e a Taxa Selic costumam caminhar próximas porque ambas refletem o custo do dinheiro em operações de curtíssimo prazo no sistema financeiro.
Entretanto, elas não são a mesma coisa. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e influencia empréstimos, financiamentos e investimentos. Além disso, a meta da Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Por sua vez, a Taxa DI é calculada com base em operações realizadas entre instituições financeiras. Portanto, ela é formada pelo mercado e normalmente acompanha de perto a Selic efetiva.
| Característica | CDI ou Taxa DI | Selic |
|---|---|---|
| Origem | Operações entre instituições financeiras | Operações com títulos públicos federais |
| Responsável pela apuração | B3 | Banco Central do Brasil |
| Principal função | Referência para investimentos e contratos | Taxa básica da economia e instrumento de política monetária |
| Comportamento | Normalmente acompanha a Selic de perto | É influenciada pelas decisões do Copom |
Para compreender melhor os títulos públicos ligados à taxa básica de juros, consulte o artigo Tesouro Selic: como funciona, quando vale a pena e cuidados antes de investir.
O que significa render 90%, 100% ou 110% do CDI?
Em outras palavras, quando uma aplicação rende determinado percentual do CDI, significa que sua rentabilidade bruta acompanha uma fração ou um múltiplo da Taxa DI acumulada durante o período.
90% do CDI
O investimento entrega aproximadamente 90% da variação acumulada da Taxa DI no período.
100% do CDI
O investimento acompanha aproximadamente a totalidade da Taxa DI acumulada.
110% do CDI
O investimento entrega aproximadamente 10% a mais do que a própria referência bruta.
120% do CDI
O investimento entrega aproximadamente 20% a mais do que a Taxa DI acumulada, antes de impostos e custos.
Como calcular aproximadamente o rendimento de um percentual do CDI?
Para fazer uma estimativa simples, pode-se multiplicar a Taxa DI anual pelo percentual oferecido pelo investimento.
Essa conta apresenta apenas uma aproximação bruta anual e não substitui o cálculo diário realizado pela instituição.
Exemplo hipotético
Suponha, apenas para fins didáticos, que a Taxa DI anual esteja em 10% e um CDB ofereça 110% do CDI.
Nesse exemplo, a taxa bruta anual aproximada seria:
Entretanto, o resultado líquido seria menor caso houvesse cobrança de Imposto de Renda e outros custos.
Além disso, a rentabilidade real depende da acumulação diária da taxa, do número de dias úteis, do prazo da aplicação e da tributação.
Quais investimentos podem usar o CDI como referência?
CDB
Nesse sentido, o Certificado de Depósito Bancário é emitido por instituições financeiras. Muitos CDBs pós-fixados apresentam sua remuneração como percentual do CDI.
Por exemplo, um CDB pode oferecer 100%, 105% ou 115% do CDI. Entretanto, o investidor deve verificar liquidez, vencimento, tributação e risco da instituição emissora.
Veja também: CDB com liquidez diária: como funciona e quais cuidados tomar.
LCI e LCA
Por sua vez, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio também podem pagar um percentual do CDI. Nas regras vigentes, os rendimentos de LCI e LCA recebidos por pessoa física possuem isenção de Imposto de Renda.
Contudo, essas aplicações podem possuir carência e restrições de liquidez. Por isso, o investidor não deve compará-las com um CDB olhando apenas o percentual do CDI.
Fundos de renda fixa
Alguns fundos utilizam o CDI como referência de desempenho. Nesse caso, a rentabilidade do fundo pode ser comparada ao indicador para avaliar se a gestão conseguiu acompanhar ou superar o benchmark.
No entanto, é necessário considerar taxa de administração, tributação, risco da carteira e prazo de resgate.
Debêntures e outros títulos privados
Além disso, algumas debêntures e outros títulos de crédito privado podem oferecer remuneração vinculada ao CDI acrescida de uma taxa fixa.
Um exemplo seria CDI mais determinado percentual ao ano. Porém, esses títulos podem apresentar risco de crédito maior e normalmente não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.
Como comparar investimentos atrelados ao CDI?
Entretanto, o percentual do CDI é apenas um dos critérios da comparação. Uma aplicação que promete um percentual maior pode possuir risco superior, prazo mais longo ou ausência de liquidez.
Compare o rendimento líquido
Primeiramente, verifique quanto sobrará depois de impostos, taxas e custos. Uma aplicação isenta pode superar outra que oferece um percentual maior, dependendo do prazo.
Analise a liquidez
Em seguida, confirme quando o dinheiro poderá ser resgatado. Liquidez diária, carência e vencimento representam condições diferentes.
Verifique o emissor
Além disso, analise qual instituição ou empresa receberá o dinheiro. Taxas maiores podem indicar maior necessidade de captação ou risco de crédito superior.
Confira a cobertura do FGC
Da mesma forma, verifique se o produto está entre os investimentos elegíveis à garantia do FGC e respeite os limites aplicáveis.
Relacione o investimento ao objetivo
Por fim, considere a finalidade do dinheiro. Recursos destinados a emergências exigem liquidez e previsibilidade, enquanto objetivos de longo prazo podem permitir vencimentos maiores.
Checklist antes de investir
- Qual percentual do CDI será pago?
- O rendimento apresentado é bruto ou líquido?
- Existe cobrança de Imposto de Renda?
- Há IOF em caso de resgate antecipado?
- O investimento possui liquidez diária?
- Existe período de carência?
- Qual é a data de vencimento?
- Quem é o emissor do título?
- O produto está coberto pelo FGC?
- Esse investimento combina com o objetivo do dinheiro?
Impostos e rendimento líquido
De modo geral, os CDBs e várias outras aplicações de renda fixa estão sujeitos ao Imposto de Renda regressivo. O imposto incide somente sobre o rendimento, não sobre o valor originalmente aplicado.
| Prazo da aplicação | Alíquota sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Além disso, aplicações resgatadas em menos de 30 dias podem sofrer incidência de IOF sobre o rendimento.
Por outro lado, LCI e LCA permanecem isentas de Imposto de Renda para pessoa física nas regras vigentes. Dessa forma, uma LCI que paga um percentual menor do CDI pode, em algumas situações, superar o rendimento líquido de um CDB tributado.
Exemplo de comparação
Imagine um CDB que rende 110% do CDI e uma LCI que rende 90% do CDI. Nesse caso, não é correto concluir automaticamente que o CDB será melhor.
Portanto, é necessário calcular o rendimento líquido do CDB após a cobrança de Imposto de Renda e compará-lo com a LCI. Também devem ser considerados prazo, liquidez, emissor e proteção do FGC.
Quais riscos devem ser avaliados?
Risco de crédito
É a possibilidade de o emissor não conseguir pagar o valor investido e os rendimentos nas condições contratadas.
Por isso, títulos de instituições menores podem oferecer percentuais maiores do CDI. O retorno adicional pode representar uma compensação por prazo, liquidez ou risco superior.
Risco de liquidez
Mesmo que o investimento apresente boa rentabilidade, o dinheiro pode ficar indisponível até o vencimento ou durante um período de carência.
Assim, uma aplicação sem liquidez pode ser inadequada para a reserva de emergência.
Risco de reinvestimento
Por fim, esse risco aparece quando um investimento vence e as novas aplicações disponíveis oferecem taxas inferiores. Portanto, o investidor pode não conseguir reinvestir o dinheiro nas mesmas condições anteriores.
Risco de concentração
Além disso, aplicar grande parte do patrimônio em uma única instituição aumenta a dependência daquele emissor. Por essa razão, o investidor também precisa respeitar os limites de cobertura do FGC.
Limites do FGC
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, considerando o principal e os rendimentos elegíveis. Também existe um limite global de R$ 1 milhão em pagamentos de garantia dentro de um período de quatro anos.
Entretanto, o FGC não garante qualquer investimento. Fundos, debêntures, CRI, CRA e ações, por exemplo, não fazem parte da cobertura ordinária.
Erros comuns ao analisar investimentos pelo CDI
Considerar apenas o maior percentual
Portanto, um investimento que paga 120% do CDI não é automaticamente melhor do que outro que paga 100%. Pode existir diferença de prazo, tributação, liquidez e risco.
Confundir percentual do CDI com taxa anual
Da mesma forma, rendimento de 110% do CDI não significa receber 110% de lucro. Significa receber 110% da Taxa DI acumulada durante o período.
Ignorar o Imposto de Renda
Além disso, comparar um CDB tributado com uma LCI ou LCA isenta exige analisar o resultado líquido, não apenas as taxas divulgadas.
Não verificar o vencimento
Alguns produtos não permitem retirada antes do prazo. Por isso, o investidor pode ficar sem acesso ao dinheiro durante meses ou anos.
Acreditar que o FGC garante rendimento futuro
O FGC atua dentro de regras e limites específicos quando ocorre intervenção ou liquidação da instituição. Contudo, ele não garante que qualquer aplicação terá rentabilidade ou liquidez durante todo o prazo.
Investir sem definir um objetivo
Por fim, a escolha deve começar pela finalidade do dinheiro. Antes de buscar a maior taxa, o investidor precisa definir prazo, necessidade de liquidez e tolerância ao risco.
Para começar de maneira organizada, consulte também Como investir com pouco dinheiro em 2026.
Perguntas frequentes sobre CDI
Dúvidas sobre o funcionamento do CDI
CDI é um investimento?
Não para pessoas físicas. O CDI é um título utilizado em operações entre instituições financeiras. No entanto, o investidor pode aplicar em produtos cuja rentabilidade acompanha a Taxa DI.
É possível investir diretamente no CDI?
Não. Em vez disso, pessoas físicas investem em CDB, LCI, LCA, fundos e outros produtos que podem usar o CDI como referência.
O que significa um CDB render 100% do CDI?
Significa que o rendimento bruto do CDB acompanha aproximadamente a totalidade da Taxa DI acumulada durante o período da aplicação.
110% do CDI significa 110% ao ano?
Não. Na prática, significa receber 110% da Taxa DI. A taxa anual aproximada dependerá do valor da Taxa DI vigente no período.
CDI e Selic são a mesma coisa?
Não. A Selic é a taxa básica de juros da economia e está relacionada às operações com títulos públicos. Por sua vez, a Taxa DI resulta de operações entre instituições financeiras. Entretanto, as duas costumam permanecer próximas.
Dúvidas sobre investimentos ligados ao CDI
Quanto está o CDI hoje?
A Taxa DI varia diariamente. Por isso, a consulta deve ser feita em fonte atualizada, como a B3 ou a plataforma da instituição financeira.
Quanto maior o percentual do CDI, melhor?
Não necessariamente. Uma taxa maior pode vir acompanhada de prazo mais longo, risco de crédito superior, ausência de liquidez ou concentração em uma única instituição.
CDB de 100% do CDI é sempre seguro?
Não existe investimento completamente livre de riscos. Portanto, é necessário avaliar a instituição emissora, a liquidez, o prazo e a cobertura do FGC.
LCI de 90% do CDI pode render mais que CDB de 100%?
Pode, dependendo do prazo e da tributação. Como a LCI é isenta de Imposto de Renda para pessoa física nas regras vigentes, seu rendimento líquido pode superar o de um CDB tributado.
O CDI serve para avaliar fundos de investimento?
Sim. Alguns fundos usam o CDI como referência de desempenho. Contudo, é necessário considerar taxas, risco da carteira, tributação e prazo de resgate.
Conclusão
Em resumo, o CDI é uma referência fundamental para compreender a renda fixa brasileira. Apesar de não ser um investimento disponível diretamente para pessoas físicas, sua taxa é usada para calcular ou comparar o rendimento de diversos produtos financeiros.
Contudo, escolher uma aplicação apenas pelo percentual do CDI pode resultar em uma decisão inadequada. O investidor deve analisar rendimento líquido, tributação, liquidez, vencimento, risco do emissor e cobertura do FGC.
Portanto, a melhor aplicação não é necessariamente aquela que apresenta o maior número na plataforma. A escolha mais adequada é a que combina rentabilidade, segurança, prazo e acesso ao dinheiro de acordo com o objetivo financeiro.
Fontes consultadas
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